A reunião da banda original de Alice Cooper foi um show inesquecível

Aos 69 anos, Alice Cooper jamais foi considerado como membro do firmamento de alto nível de rock stars. Em sua ascensão inicial nos 70s, ele foi o Marilyn Manson original, um “shock-rock” anti-herói que canalizou as energias das trevas que culminaram do sonho hippie dos 60s através de uma colisão única entre Hammer-Horror e puro rock ’n’ roll.

Sua popularidade foi só multiplicada devido as atenções de advogados de censura tais como Mary Whitehouse. Todavia, em 1983, Cooper trocou altas bebedeiras por harmonia matrimonial e golf, e conseguiu separar sua espalhafatosa persona de palco de sua real identidade, um pacato Vincent Furnier.

Um digno cavalheiro por trás da performance grotesca dos palcos, ele logo tornou-se objeto de adoração no filme Wayne’s World. Atualmente, seja em turnê com Johnny Depp em seu rock supergroup The Hollywood Vampires durante 2015, ou celebrando Halloween com Foo Fighters na TV Americana, seus ultra shows mantém-se lotadores de estádios .

Cooperites (como são conhecidos os fãs de Cooper) dedicados encontravam-se em polvorosa com a notícia de que para sua mais recente turnê no UK, Alice se reuniria com seus parceiros de longa data do início de carreira, reprisando The Rolling Stones e Iggy Pop – a banda original do início dos 70s. Seguindo uma aparição inicial em Nashville em Maio, o primeiro concerto em UK seria seu segundo desde 1975.

Michael Bruce performs with Alice Cooper 
Michael Bruce durante apresentação com Alice Cooper CRÉDITO: ANDREW BENGE/REDFERNS


Andrew Perry do jornal The Telegraph (Reino Unido) descreve o que sentiu durante o show em Leeds nesse último final de semana:

“Antecipação atingiu seu ápice na First Direct Arena, quando as cortinas abriram-se para revelar Cooper em um pódio ao som alucinante de Brutal Planet, em meio a um show pirotécnico. Inicialmente, ele vinha acompanhado de seu conjunto de 3 guitarristas da lineup atual. Obviamente, favorecendo a Anita Strauss, a única garota na trupe.
Durante Pain, ele trajou um smoking vinho e chicoteou a si mesmo;  em Feed My Frankenstein, ele simulou ser eletrocutado para então ressurgir como um monstro de 3 metros; em Cold Ethyl, ele foi carregado enquanto espancava uma boneca de pano.

Em um final formidável diferente de seu usual, ele estrangulou uma enfermeira –  sua esposa de 42 anos, Sheryl – e foi guilhotinado, entretanto, dessa vez, não apenas Alice ressurgia dos mortos mas também a banda cujo nome ele vem carregando por décadas.

Contando com seu amigo de infância no baixo Dennis Dunaway, Neal Smith (bateria) e Michael Bruce (guitarra), todos beirando os 70, instantaneamente convocaram um tom mais profundo, dark, estourando I’m Eighteen, como se a frustração adolescente ainda corroía seus interiores. Poderiam ser comparados a avós dos The Horrors’, mas durante No More Mr Nice Guy, o inferno abriu-se na primeira fileira, quando os seguranças começaram a retirar alguns fãs pelas gargantas – uma pitada momentânea de mundo pré segurança e proteção , quando rock ainda tinha o poder de desafiar autoridade e libertar espíritos .
Para a climática School’s Out, as duas bandas juntas tocaram, em meio a fogos de artifício, serpentina e balões, que Cooper estourava com uma lâmina de 12 polegadas. “Que vocês tenham insanos e terríveis pesadelos!” Anunciava triunfantemente”

O show em Londres vai rolar durante esta próxima quinta-feira e contava com pacotes especiais por £350, com direito a VIP pass, meet and greet com a banda, primeira fileira e o privilégio de ter sua foto sendo tirada na clássica guilhotina.

Fonte: The Telegraph

Tradução: Camila Smith

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