I won’t let you down…

…and I won’t give you up <3

 

Por Camila Smith

 

George Michael sempre foi uma das presenças constantes na minha casa, durante todo o curso do meu crescimento: eu lembro de sábados ensolarados visitando minha avó paterna, early 90’s, e passar o dia com minha tia escutando seus singles – minha tia é até os dias de hoje apaixonada por ele; meu pai, um colecionador ávido de LPs e apreciador de boa música, óbvio que sempre escutava Wham! e George;  Everything She Wants foi a música que eu dancei na minha formatura do pré; minha mãe cantava Faith a todo momento; quando meu melhor amigo de infância faleceu, foi Jesus to a Child que ajudou a aliviar a dor que eu senti ao perdê-lo; quando me mudei para o UK, sem saber, acabei virando quase vizinha dele (George morava em Hampstead, meu flat é em West Hampstead, 5-minute walking entre nós); nós usávamos a mesma farmácia local, eu tive o prazer de ouvir histórias lindas diretamente do dono de que ser humano fantástico ele sempre foi… aos meus olhos, um talento gigantesco e um ídolo que me acompanhou por tantos momentos.

No último Natal, o impensável na minha concepção aconteceu: meu app do BBCNews me notificou que George Michael falecia naquela noite. Como nós dizemos aqui, “My heart sank”, achei que era mentira, liguei a televisão no BBCOne e lá estava, algo que eu não queria acreditar. E nesse momento crucial, Last Christmas começou a tocar e eu lembro de sentir meu coração apertar e tornar-se minúsculo dentro de mim. Eu chorei como a criança que dançava ao som de Too Funky e sabia toda a letra de You have been loved. Eu perdia mais um ídolo, entre tantos seres especiais que me deixaram em 2016, que ano horrendo.

Se vocês já perderam um ídolo sabem bem como eu me senti – aquele vazio na alma, uma dor profunda, te deixa sem ar e parece que uma parte de nós se foi, sabem? Eu fiquei meses sem poder escutar às obras maravilhosas do George e, aqui em London, parece que todos nós entramos en luto junto com a família dele, ele é um dos artistas mais tocado nas rádios e TV – foi e sempre vai ser um dos maiores orgulhos do UK, como se fosse um filho querido e sempre venerado.

E semana passada, o Channel 4 e a Sony Pictures/Music nos deram aqui no UK um mega presente: George Michael: Freedom foi lançado, o último trabalho dele, um documentário sobre a vida e obra dessa alma formidável. A narração é toda feita pelo George – ele estava prestes a terminar a obra dias antes de falecer – a gente tem a chance de ver never seen before footage, ele mesmo dizendo o quanto era doloroso lidar com o sucesso e a vida em si. Eu tive a chance de me sentir ainda mais próxima dele e ver o quão cruel esse mundo pode ser, até mesmo com alguém tão único especial quanto ele.

Amigos, colegas de trabalho, tais como David Austin (manager), Nile Rodgers, Jean Paul-Gautier, Ricky Gervais, meu sempre querido mate Mark Ronson, Stevie Wonder, Liam Gallagher, as super top models do vídeo de Freedom (Linda, Cindy & Naomi), Tony Bennett, Mary J Blige e, seu tão long-term friend, Sir Elton John contando o quão essencial George foi e sempre será na história da música.

Sem muitos spoilers, mas uma idéia da magnitude dessa pérola:

  • É absurdamente heartbreaking ver Kate Moss presenting a introdução ao filme – você consegue ouvir a dor e saudades em seu tom de voz e, assim como nós, está segurando o choro.
  • Listen Without Prejudice é praticamente tocado na íntegra – e sim, chorei horrores.
  • “I’m aware of the use and importance of personas, but my persona I’m not willing to give” – eu acho que nunca me identifiquei tanto com uma frase, entendo bem como ele deve ter se sentindo.
  • Sir Elton John afirma que o George recusou colocá-lo nos pianos de Freedom“I’ll always hate him for that” e sorri. Impagável <3
  • Rio de Janeiro!
  • Amor a primeira vista realmente existe, George viveu um, o Anselmo  <3
  • George podia ter facilmente feito justice ao substituir Freddie Mercury no Queen.
  • Music labels such big time.

Sinto-me privilegiada por ter vivido em um mundo no qual alguém como o George existiu, ele sempre será um marco na história da música.

Obrigada, George Michael, você me tornou mais humana. E a tantos outros.

“Just when you began, they took your love away…”

O doc está disponível on demand no portal do Channel 4, aqui: George Michael: Freedom

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C.

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